Faz muito bem o DEM em pedir minucioso exame do acordo “Lulu”, uma homenagem às primeiras sílabas de “Lula” e “Lugo”, presidente do Paraguai. Cada um entra com um “lu”, mas o “Lulu” inteiro, para variar, é mesmo o Brasil.
O pais tem-se notabilizado por ceder sempre à pressão dos seus “parceiros”. Nessa relação, primeiro o outro bate, e, depois, o Brasil apanha. Já que um dos negociadores é “Lugo, o garanhão”, quase recorro a outro verbo. mas resolvi ser pudoroso. Já brinquei aqui: trata-se de uma reinvenção do imperialismo, em que o mais forte sempre perde.
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, e Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Lula - aquele que também se opõe ao novo governo de Honduras, mas não chama os “companheiros” das Farc de “narcoterroristas” - afirmam que não há motivo para alarde porque o Congresso vai votar “partes” do acordo. Quais partes? Ninguém sabe direito o que está lá. Lula recomendou negociações “sigilosas”.
Anda que o Congresso venha a aprovar a proposta, isso não muda o fato de que:
1 - o Brasil, mais uma vez, é lesado pela exigência de um vizinho. Nesse caso, o contrato que havia foi jogado no lixo;
2 - a oposição está diante de um excelente filão a ser devidamente tratado no processo eleitoral. Nas vezes em que os petistas acusaram adversários de “entreguismo”, estatais estavam sendo vendidas a preços de mercado - não, minto: às vezes, muito acima do mercado. Hoje em dia, o Brasil cede às exigências as mais exóticas e leva em troca apenas mais exigências.
Reitero: chegou a hora de fazer as contas de todas as generosidades de Lula com os vizinhos para saber em quanto os brasileiros já foram lesados.
No Estadão Online:
O DEM protocolou hoje representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo “minuciosa análise” nos termos do acordo entre o Brasil e o Paraguai para o uso de energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A representação foi assinada pelo vice-presidente do partido, deputado Paulo Bornhausen (SC), que considera o novo acordo lesivo por, entre outras coisas, ampliar de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões anuais o pagamento do Brasil pelo direito do uso da cota de energia para o Paraguai.
“Lula e seu lépido ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, insistiram em mudar as regras do tratado mesmo após pareceres do Ministério de Minas e Energia e da direção nacional da Itaipu Binacional mostrarem que a alteração não faz sentido. A conta de luz dos consumidores brasileiros poderá aumentar em 3%. Isso se Lugo resolver não exigir mais”, diz Bornhausen na representação.
“O acordo realizado no último sábado, dia 26 de julho, garante benefícios econômicos para o Paraguai, já que, sem qualquer explicação plausível, o Brasil praticamente triplicou o montante que paga ao vizinho pela energia elétrica por ele não consumida. De mais além, o acordo ainda permite ao Paraguai vender gradualmente o produto ao mercado brasileiro sem a intermediação da estatal Eletrobrás. Nesse diapasão, e, sobretudo, para evitar maiores prejuízos ao Erário, é que o representante pede a este Tribunal de Contas da União seja instaurada um minuciosa análise dos termos do pacto celebrado entre Brasil e Paraguai, sobretudo sob os aspectos da economicidade, legalidade e eficiência administrativa”, acrescenta o pedido do DEM.


