A decisão do partido de propor três representações é uma estratégia para fortalecer a oposição. Isso porque o DEM não precisaria representar contra o peemedebista e, com isso, um dos três senadores democratas do colegiado poderia ser sorteado para relatar algum dos processos.
Mais cedo, Guerra havia dito que não há mais ambiente no Senado para que a oposição recuasse da decisão de apresentar representação contra Sarney. A avaliação do senador é a de que apenas o Conselho de Ética poderia solucionar o problema definitivamente. Pesam contra Sarney denúncias que o responsabilizam pela edição de atos secretos, pela interferência a favor de um neto que intermediava operações de crédito consignado para servidores do Senado, e ainda por suposta participação em um esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras recebido pela Fundação que leva seu nome.
Em telefonema na segunda-feira a Sérgio Guerra, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), quis saber se os tucanos pretendiam mesmo entrar com uma representação contra Sarney e pediu para o partido não radicalizar a situação. Guerra prometeu que a oposição manterá o canal de diálogo aberto com o PMDB durante os possíveis desdobramentos da crise no Conselho de Ética, e que os conselheiros indicados pelo PSDB não farão prejulgamento durante uma eventual investigação. "Renan me disse que era um conciliador. Eu também sou um conciliador, mas acho que a conciliação deve ser feita no Conselho de Ética", justificou Guerra.
Para Sérgio Guerra o governo não poderia ter desrespeitado o Senado interferindo na crise, ao tentar pressionar os partidos aliados a apoiar Sarney. Na avaliação do senador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido o apoio a Sarney porque estaria preocupado em perder o apoio do PMDB à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas eleições presidenciais de 2010. "Instrumentar as instituições públicas tem sido uma marca deste governo, mas fazer isto com o Senado já é demais."
(Com agência Reuters e Agência Estado)


